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Antroposofia - Arejar, simplesmente !

ANTROPOSOFIA: AREJAR, SIMPLESMENTE!

 

Como a Antroposofia deixa-se atualizar em nossa época? Ela é preferencialmente um conglomerado educacional ou um método?

Podemos renovar, rejuvenescer e continuar desenvolvendo a Antroposofia? Uma contribuição para uma reflexão.

Para lidarmos com essa pergunta sensatamente, necessitamos primeiro ter uma imagem do que a Antroposofia é em geral. Vemos a Antroposofia como um corpo geral daquilo que Rudolf Steiner nos legou, em pensamentos, conhecimentos e pontos de vistas e do que temos de suas palestras e seus próprios escritos? Se é isso, então a Antroposofia não poderá ser rejuvenescida, menos ainda renovada. Pois, quem poderia se arvorar em se colocar na mesma altura e com todo o poder como Steiner e trazer novos pontos de vistas?

Mas se a Antroposofia fosse vista, preferencialmente, como um método para se olhar os fenômenos deste mundo sob um ponto de vista espiritual, então poderia continuar a se desenvolver, mas seria ainda Antroposofia?

No entendimento de muitos antropósofos  a sua cosmovisão é um reservatório de conhecimentos de Steiner, no qual eles acreditam e também para os de fora, os não antropósofos, ela aparenta ser uma coleção altamente interessante, às vezes, de caprichosas “afirmações”.Para mim, parece que a Antroposofia como uma comunidade de crença não terá nenhum futuro frutífero: a gente acredita numa afirmação porque Rudolf Steiner a fez, somos assim irresponsáveis? Pode-se chegar a algo por si mesmo, se partimos de uma imagem espiritual do ser humano, por exemplo à ideia da reencarnação. Aqui as apresentações de Steiner são altamente valorosas. Elas dão à vida humana, à biografia humana um sentido profundo. Sobre outros assuntos de Steiner, não é qualquer um, também nem todo antropósofo, que consegue iniciar algo. Deve-se, não obstante, acreditar? Ou pode-se pensar experimentando - há algo, possivelmente irrelevante, para nós da atualidade?

 

PROCURAR-MOVIMENTANDO AO INVÉS DE SABER MELHOR

 

Eu considero que a Antroposofia não tem nenhum futuro, se ela se fecha naquilo que é visto como conteúdo da obra de Steiner. Através da limitação torna-se infrutífera. Aqui uma anedota: há alguns anos eu tinha que fazer uma palestra em Dornach sobre ocultismo na juventude. A palestra continha entre tantas menções à obra de Steiner também algumas considerações minhas. Um ouvinte me perguntou após: “Onde está isso na obra de Steiner”? Uma colocação dessas assusta justamente os jovens, deixa-os perplexos ou indiferentes. O novo acontece frente a eles, na troca e respeito mútuo, não através do saber melhor e no fixar-se naquilo que já se sabe. Considero que justamente os jovens não buscam respostas prontas, muito menos perguntas que eles nem fizeram. Eles aceitam mais a autoridade de um movimento de busca do que a de um movimento para o saber. Antropósofos se apresentam frequentemente como se já soubessem tudo. Isso não convida à comunicação.

Poderia chegar-se à ideia que a Antroposofia não pode nada além do que ser conservadora e contida. Ela se entende como uma cosmovisão fechada, isto quer dizer, os acontecimentos e os fatos podem ser  esclarecidos e entendidos com os conceitos antroposóficos. As consequências: onde os pontos de vista da Antroposofia se abrem, onde vão além dos conceitos anteriores e que estão além dos conhecimentos de Steiner não seria mais Antroposofia.

Ou nós olhamos totalmente diferente: olhamos como pais que com o tempo se retiram frente à atuação de seus filhos, essa cosmovisão fica assim com o tempo  como pano de fundo frente àquilo que ela impulsionou. Audição do mundo ao invés de visão de mundo - isso poderia acontecer no futuro. Pois na visão temos sempre critérios para a visão anteriores e determinados. Na audição somos mais abertos, escutar traz mais do que sugar a transmissão de conhecimentos, que aliás raramente são próprios. Queremos ver a Antroposofia como um sistema fechado, para todo o sempre definido, que esclarece tudo, ou nós buscamos abertura e troca com outras visões? Nos dois casos a cosmovisão não terá uma vida longa. Como um sistema fechado ela secará, assustará os jovens e os fará ficarem perplexos. Ao contrário, como um sistema aberto ela se perderá, deixará sua identidade de elevada e especial cosmovisão. Os filhos crescem algum dia para além de seus pais. Antroposofia, assim como nós ainda a conhecemos hoje, não foi por isso insignificante ou supérflua. Mas ela foi eventualmente um acontecimento do nosso tempo totalmente com sentido e necessário.

 

MUDANÇA DA MANEIRA DE ENCARAR

 

Essas considerações não significam que a Antroposofia não teria nenhum futuro. O futuro está, segundo a minha visão, no confronto com outras visões, parecidas ou não parecidas, com a realidade moderna, talvez com religiões “estranhas”. Por exemplo, acho interessante a pergunta: O que liga a Antroposofia ao budismo? Mais interessante ainda: o que liga a Antroposofia com o islã? O que separa? Pode-se ver pontos sobrepostos? O novo pode surgir por estas perguntas, que não é mais a Antroposofia clássica, mas essa continuando com o conteúdo como “parte de seus pais”.

Naturalmente a cosmovisão fechada é inicialmente útil. Ela dá orientação, dá segurança. Na mesma medida ela prende e limita, até o ponto que não se consegue mais se comunicar olho no olho com os de fora (os não antropósofos).Sistemas fechados têm uma exigência de se fechar. Sobre essa base não se pode mais comunicar-se numa troca aberta, apenas se comunica (frequentemente em forma de citações de Steiner). Com as religiões é igual. Elas criaram a intolerância.

Frente a isso parece ser frutífero encarar cada cosmovisão (também religiões) como uma obra de arte: isso pode ser altamente inspirador e coerente. Mas há ainda sempre outras obras de artes que talvez de maneira totalmente outra podem ser também inspiradoras e coerentes. Se eu me ligo somente a uma única obra de arte, muito me escapa. Nesse caminho desta visão - olhar uma cosmovisão como uma obra de arte - deixa-se sem dor o “falso” e o “certo” , pois uma obra de arte não é mais correta do que outra;  e chega-se à questão: como as diferentes obras de arte reciprocamente e conjuntamente se fertilizam ou como podem se fertilizar? Essa reciprocidade das diferentes obras de artes, aqui cosmovisões, são então algo como uma Meta obra de arte.

 

FACA DE COZINHA DA VOVÓ

 

Uma comunidade que se entende como antroposófica não é uma comunidade de sábios e donos, mas uma comunidade de buscadores - pessoas que através das armaduras metodológicas da Antroposofia (meditação e pensamento auto reflexivo) e que através de uma razoabilidade e do pressuposto básico - o reconhecimento do núcleo espiritual do ser humano - buscam o próprio entendimento da vida.

Rudolf Steiner nos sobrecarregou, segunda a minha visão. O colossal de suas colocações não é plenamente seguido. Assim somos chamados a caminhos próprio e atuais.

Se a Antroposofia é um ser como Rudolf Steiner descreve na sua maneira própria de pensar e falar, então ela se desenvolve, tem um começo, se metamorfoseia, morre talvez para algo novo. Com o tempo pode acontecer com a Antroposofia, provavelmente, como com a faca de cozinha da vovó: o cabo já foi trocado duas vezes, a lâmina já três vezes - mas para os descendentes ainda é a faca de cozinha da vovó.

Traduzido por Joaquim José Assis.
Texto original de Mathias Wais - https://www.info3-verlag.de/zeitschrift-info3/oktober-2018/anthroposophie-einfach-mal-durchlueften/

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